terça-feira, fevereiro 11, 2014

Sério mesmo que fez ano e dia? Não espere evolução. Esqueminha é o mesmo, música próxima e textinho mequetrefe-umbelical. O que a sua alma quer, o que o seu bicho quer, pergunta-me o hebdomadário aladim da vila madalena. Relaxa que a vida responde. Então tá, então. Shuffle de cérebro eletrônico, na pós-semana extrema de sensações. E quando digo extrema, minha filha, estou te sendo extremamente preciso, tá ouvindo bem?
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e amanheça de cabeça dentro dela...
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gosto da palavra píldoras. mas tem que ser assim, no plural.
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A câmera desliza e engole ar acompanhando as ondulações das telhas velhas e seus poros pretos, breve vertigem pelos movimentos e assim vai num, em dois, em todos os telhados do bairro média baixa da grande são paulo que separam esse cômodo daquela casa lá da ponta, onde uma Monica qualquer, vinte e cinco anos depois penteia o cabelo, antes do morro verde. As famílias se entretêm. Nesse segundo. Nesse segundo a menina de treze sonha escondida. O pai se perde na conta ao ouvir os latidos. O velho passeia seu cachorro no asfalto. A lua é crescente. Os cachorros avisam-se. A mulher manda ficar quieto pelo amor de deus. Deus resolve um perhaps na Tailândia. O guarda noturno comprova que vem mesmo um dia depois de receber. A senhora sente saudade. Sente muita saudade. A criança faz o boneco da direita derrotar o da esquerda. O boneco da esquerda não percebe. O cara aperta um e planeja o que não se pode abrir assim. A outra menina de treze conhece um pouco mais do seu corpo do que conhecia semana passada. O outro pai suspeita de sua segunda mulher. O outro velho não quer mais sentir essa dor. Seu cachorro morreu. A lua é crescente. Os outros cachorros coçam o que imaginariam ser sarnas. A outra mulher não vai ligar nunca mais pra irmã. O outro Deus pensa melhor. O outro guarda noturno não vai cumprir seu turno. A outra senhora se apavora, esqueceu mais um pensamento.  A outra criança sabia que o vulto voltaria. O vulto paira. O outro cara não sabe mais o que fazer. A terceira menina de treze não quer se mudar dali. O terceiro pai vai ao banheiro no comercial. O terceiro velho vai matar o desafeto. Não suporta cachorros. A lua é crescente. Terceiros cachorros inexistem. A terceira mulher quebrou a unha. O terceiro Deus concui ter sido o melhor a fazer e não se fala mais nisso. O terceiro guarda noturno vai pro semiaberto mês que vem, como passa. A terceira senhora implora ao terceiro velho que não faça isso, vai desgraçar a todos. A terceira criança será um cientista político. O terceiro cara olha o espelho e não, vultos não existem, foi só impressão. A câmera retrocede desrespeitando ondulações, não repara em telhas, volta todos os telhados, esquadria de alumínio, parede embolorada, chão morno, mesa entulhada, notebook, dedos, eu.

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