terça-feira, agosto 21, 2012


Volta pra lá, Casimiro, quem manda aqui sou eu. 
Sabe quando a morte de um blog se aproxima? Quando acontece isso, ó: meu amor eu sinto muito muito muito mas vou indo/pois é tarde, muito tarde e preciso ir embora/sinto muito meu amor mas acho que já vou andando/amanhã acordo cedo e preciso ir embora/eu queria ter vc mas acho que já vou andando/outro dia pode ser mas não vai dar pra ser agora. 
Quando a pessoa enxerta letra de música no texto é o sinal mais cristalino de falência múltipla de órgãos. 
Mas deixa isso pra lá. Falemos de vontades. Eu tenho hoje vontade de fazer um churrasco. E reunir um pessoal antigo com o pessoal novo e um pessoal de sempre. Mas um churrasco que comece na sexta a noite e termine no domingo comigo colocando vassouras atrás da porta pra poder começar a semana e quando fechar o portão notar algum retardatário dormindo de boias amarelas nos braços. 
Preciso arrumar um motivo para o churrasco. Pronto, cinco segundos, encontrei. Vai ser a minha comemoração dos 40 anos fake. Porque decidi que tenho quarenta anos. Ano que vem, em janeiro, farei 40 anos. Ano seguinte, 40 anos. No outro, 40 mesmo. Só volto a prosseguir qdo fizer 41. Porque daí param com essa ideia de que 'vc já tem quase 40' e isso e aquilo e aquiloutro.
Minha casa foi "palco" de festas memoráveis. Lembro vagamente de pessoas sendo puxadas num tubo de tapete dobrado; fila no lavabo (do lado de fora do lavabo); exibições de filmes clandestinos que ninguém jamais poderia suspeitar, além daquele bando que sabia do segredo; garrafões de vinho velho arrecadados em gincanas do grêmio estudantil (um saco de arroz valia 5 pontos, um garrafão de vinho ou pinga valia 100); eu berrando que "em cima dos processos não, porra!"; coca-cola + pinga (aiai, mais alguém sabe que o nome disso é samba, identificação total) +, sim, formigas. Acordaram meu saudoso boxer na falecida lavanderia pra pegar garrafas de litro de coca-cola em vidro, tiveram preguiça de levar as ditas pro claro e verteram coca com pinga lá mesmo pelo funil, entre os desinfetantes e os amaciantes. Alalaô léguas depois desde minha casa ao finado carnaval do São João, no caminho alguém nota que a mistura estava crocante. Sim, cabeções, não lavaram as garrafas e tomaram samba com formiga. Tomamos. 
Vou deixar trazerem pessoas desconhecidas como antes, mas, pra tanto, será como antes, espírito financeiro-colaborativo pq eu não to aqui pra sustentar bebum anônimo, aí sim serão todos bem recebidos. Quero ouvir causos como o do pernilongo de escafandro em ilha grande, o portal entre são thomé e machu picchu e contar das minhas passagens no alto do jaraguá. Quero fugir das rodinhas que falem de política alegando a verídica necessidade de dar atençãozinha ali praquelas pessoas que discutem a situação da amandita na casa da daniela (onde estará daniela...).
Esperarei a família ir pra Socorro, pro tributo ficar completo. Proibirei entrada de menores, com dor no coração, afilhada, um dia o dindo faz uma festa só pra vc lá. 
Fecharei o quarto da minha mãe a chave, como de costume, vá que alguém queira tornar o tributo mais que completo. 
Cobrarei as cadeiras plásticas porventura esquartejadas mas me encarrego de limpar depois a água da piscina sem praguejar. 
Vou fazer tudo isso pra ter aqueles segundinhos embriagados de olhos semicerrados vendo geral insuspeita interagir e então vou poder concluir avulsamente: é, bichão, tá tudo indo bem, feliz 40 fake.

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