sábado, julho 14, 2012

Tempos estranhos. Tempos de olhar para o bico da bota de caminhada, quando se desce a augusta atento para a maior quantidade possível de fragmentos de conversas mantidas entre os jovens cidadãos. Quando se duvida da profundidade do objetivo traçado, aprender inglês com o professor particular Jack Davidson, da Praça da Árvore ao Grand Canyon, duvida-se de todo o mais. Tempos em que não se está mais a vontade em lugar algum, sente-se um turista em todos eles. Uma visita tímida. Na casa do amigo do amigo, sem conhecer ninguém. Paciência. Tentou-se aprender inglês de todo o jeito: na escola, nas fitas, nos cds, no obscuro curso do Brás, no Wizard, em vão em vão. Então parte-se pra última tentativa: compra-se on the road, versão original, compra-se Pé na Estrada, versão em brasileiro, como mencionado no divertido posfácio de Eduardo Bueno. Lê-se frase a frase, numa e noutra versão, pareada, um livro servindo de marca-página do outro, um yin yangzinho beatnik, fica formoso. Torce-se pra avançar na leitura, antes de o filme estrear, pra evitar o que se passou com o tempo e o vento, custou dois volumes desvencilhar a imagem do Tarcísio Meira no Capitão Rodrigo. Mas os eventos causadores da estranheza do tempo, sem vento, direcionadores do olhar para o bico da bota não deixaram. Então, assiste-se à esperada estreia, curiosamente ao lado do Marcelo Rubens Paiva, mencionado no posfácio lido 20 minutos antes, no café do cinema, meio viagem associar Feliz Ano Velho aos beatniks, mas inevitável constatar que sim, a mudança de fase da leitura em relação à saudosa coleção vaga-lume deu-se antes mesmo do colegial, foi emprestado da biblioteca do José Alvim, lido com espanto lá pelos treze anos (biblioteca que tinha entrada comum com o laboratório de ciências, divididos por um hall minúsculo que continha um terço enorme na parede, uma bíblia e as permissões daquela menina, naqueles momentos uma versão atibaiense de Marylou, nem ela mais lembra, volta pra ideia). Tempos estranhos, a única apreciação que a moça fez sobre ele foi que tem  espírito estradeiro, alma estradeira, jeito estradeiro, algo assim e ele gostou. Raspas e restos, por vezes, lhe interessam, só pra pontuar vez mais o tempo da primeira edição resenhada por MRP, conforme conta o tradutor. Ele vai sim, ainda, de Harley Davidson alugada, vai percorrer a route 66, vai desviar pro grand canyon, vai retornar pra rota até chegar na Califórnia e vai voltar, tudo bonitinho. Mas vai voltar pra onde, rascunho de sal paradise, fazer o quê. Ei-la.

1 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Rascunho!!! Tu és obra completa! Necessário mais volumes que o próprio 'O tempo e o vento' pra te escrever... ;)

11:06 PM  

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