sexta-feira, maio 04, 2012

O mar de Maria

Não se vê o rostinho dela. Pois ela está na areia, voltada para o mar. Ela tem três anos. Ela traz a vida no sorriso. Mas não se vê o sorriso, pois agora ela está de costas, compenetrada, olhando o seu mar. O mar de Maria. Veste uma calça de moletom cinza, uma blusinha rosa, dos quais ela se lembrará vagamente quando se olhar olhando o mar, daqui a uns 20 anos. As nuvens parecem sair de sua mente, das menores para as maiores, a sugerirem facilmente um balão de pensamento, das histórias em quadrinhos. E então o universo de Maria quase cabe nesse balão, enquanto olha o seu mar. Na viagem de seu padrinho, o mar é tudo o que está à volta e por vir, para Maria. E o balão é onde ela recolhe e guarda tudo isso. Na areia, os desenhos circulares, a intervenção de Maria. O mar de maria está calmo. É como se Maria lembrasse que tudo isso vai passar, tudo vai ficar bem. Que a mente cansada e confusa do adulto pode voltar a produzir desenhos circulares na areia. Maria traz a vida no sorriso. E eu trago Maria no coração.

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