sábado, junho 16, 2012

Bar do Nelsinho - ME


O rapaz do bar admirou-se da quantidade de tempo que passei na água do mar de caraíva. Realmente, após ter-me secado ao sol, tomado cerveja, conversado com uns camaradas, tirado algumas fotos, voltado pra pousada, tomado banho, deitado na rede, aberto essa coca, colocado jack johnson e começado a escrever, ainda estou enrugado, talvez não tanto mais como um sapo. Vontade de transcrever uma parte do que disse ontem no moleskine, olha só: "A felicidade instala-se em mim. Caraíva, ao seu melhor estilo, recebe-me com um beijo afetuoso e uma dançadinha de leve, cool de jazz com bossa nova e forró com reggae na casa do Raul. Meu peito ostenta um colar de tentos, do segundo pau-brasil (não entendi direito essa parte), dado de presente por Raul e Dona Cassilda. Foi assim: saio da pousada-like-a-boss rumo à praia, em busca de almoço. Não acho o local pretendido, resolvo caminhar e conhecer e vivenciar e tal, até que acontece: Raul me confunde com outro turista. Desfaço o mal-entendido e quando vejo estou dentro da casa de paredes verdes e ar de amizade de Raul, que me apresenta a D. Cassilda, sua esposa, que veio da aldeia, é pataxó, e agora Dona Cassilda já parte o queijo para eu comer com café, é o marido da sobrinha dela quem fez, junto com o requeijão, que como acompanhado já do segundo café. Cassilda mostra-me todas as ervas do quintal e diz para que serve cada qual, o cachorro é manso, dá-se bem com os gatos, Raul toma cachaça, dança reggae, Dona Cassilda janta e eu me regozijo, porque queria exatamente isso, constato afagando a cabeça do cão manso. Raul não me deixa sair por 37 vezes e, quando saio, encontro João, que me trouxe de Porto Seguro hoje cedo. Estava saindo da Lagoa Pousada e Restaurante, mas volta para me apresentar para Hermínia, a dona do bar. Tomo uma cerveja proseando, conheço Letícia (...), a cerveja chama outra, peço o talharim e começo a escrever até o ponto final que se seguirá à segunda palavra final.".
A tarde cai em Caraíva, o sol se pôs no meio do texto e eu já não sei se é a energia do mar, se é a hospitalidade do povo, se são as ruas de areia, a conversa que tive com meu pai no mar, se é tudo misturado, o fato é que há muito não sinto essa plenitude. 
E se realmente largo tudo e venho morar onde me sinto assim, sempre, por mais que me venham com o papo de que morar é diferente de visitar e tals? Posso ser dono de bar e advogar nas horas vagas e escolher cada caso e trabalhar nele com a vontade e o afinco que tinha no início, quem sabe quem sabe. E enquanto isso, ter um cachorro e, com o tempo, minha casa de vidro autossustentável voltada para o leste que, no caso, chama-se oceano atlântico. Bar do Nelsinho - ME.
Ainda não visitei Satu, sairemos amanhã bem cedinho, Nelma, Yuri, eu e, seria muito bom, Bubu. Mas acho que Bubu costuma ficar em casa. Satu está bem triste e, em respeito, não direi os motivos aqui. Trarei uma garrafa de Netuno de volta, na mochila, de qualquer sorte.
Bar do Nelsinho – ME, com a casa de vidro voltada para o leste aos fundos, não se afasta quase nada do primeiro Plano B, de onze anos atrás, em propor sociedade ao Satu. Seríamos praticamente vizinhos.
Olho pra esse mar gostoso de ficar, de olhar, de cheirar, de ouvir e pergunto vez mais: que será que tem esse lugar? Que será que traz tanta gente de Roma, da Noruega, de São Paulo, que vem pra passear e aqui fica.
Tenho o palpite de que é algo situado entre o coco do Satu e o queijo do Raul, dentre suas infinitas variáveis-manifestações. 


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