segunda-feira, junho 13, 2011

OUTONO VIII - O QUASE-FIM.

Minhas tardes com Margueritte. A banda mais bonita da cidade. A Pedra Grande. A Bela Vista. O teu beijo. As perspectivas. O "não" definitivo. O vamos ver o que dá. O vamos juntos. O corre do meu lado. Quando vc cansar eu te carrego. Quando eu cansar vc me leva no teu carro. Eu te levo de moto. Mas só quando souber levar alguém na garupa sem assassinar o iphone que estava no bolso e me ralar todo. Eu vou pra Espanha. Eu não vou pra Espanha. Eu vou pra Galícia. Eu vou conhecer a Europa a despeito dos Estados Nacionais. Da Europa eu quero a protoeuropa. Porque de atual eu sou América. Brasil. São Paulo. São Paulo-Socorro. Rodovia Fernão Dias. Com ênfase em Atibaia. Com perna estendida a Parnaíba. Parque Fernão Dias. Pertinho do asilo. Cabe o meu amor. Cabem três vidas inteiras. Cabe uma penteadeira. Cabem as galinhas do mato que sobem na árvore e esse galo que não canta mais, o que será que houve? Como posso passar mês e meio aqui e não ter ainda apelidado minhas galinhas do mato e seu galo, sendo que Germain nominou seus dezenove pombos? As Paixões do Ego, O Despertar de Uma Nova Consciência, Conversas Difíceis, Toda Poesia. Eu vou me emaranhando nessas ideias, vou despertando essas fúrias e mágoas nas pessoas. É o que acontece quando se tira o cobertor de cima de si e se coloca primeiro o pé direito no chão frio, que é pra dar sorte pro dia. Vc causa amores, fúrias e mágoas. E depois tudo passa, como passaram os objetos da feirinha do vão do Masp. Eu vou montar uma barraquinha no vão do masp e vender os vendedores daqueles objetos todos. Se algum de vcs ler isso um dia, o que duvido muitíssimo, relevem. É que acho vcs meio estranhos, por detrás dessa sisudez e mistério e desse sei-exatamente-o-quanto-vale-cada-coisa-e-vc-não. Mas isso aqui é só literatura, relevem. Tudo foi só literatura, menos muita e muita coisa. Menos o sítio do salto, que passará a existir apenas nos meus sonhos, até que os meus átomos se dispersem todos pelo Universo, numa visão mais reducionista, quem garante, quem garante? Foi lá, vô, que vc me deixou dirigir a toyota, sem vc por as mãos no volante. Perto dali, tio philo, que vc me levou nos ombros e eu fui pela primeira vez um gigante, muito mais muito mais. Foi perto dali, pai, que sua testa se uniu à minha no mesmo sorriso. E não são as pessoas que sorriem, é o Sorriso que passa de um pra outro; que, no descuido, vlapt, se instala no rosto das pessoas e agora está lá, na doce Eloíza, pequeninha e cabeludinha, com acento e Z no nome, filha de dois dos melhores seres humanos, o Sorriso, vlapt, vc trouxe pro rosto dos meus Gi e Ricardo. E o outono vai como vai essa neblina na baixada, quando as galinhas já desceram pra ciscar. Quando o sol me convida a ir ao fim da terra, onde os celtas queimam suas roupas na renovação. Eu vou a pé e se cansar eu paro e como uma laranja. Paro e peço uma limonada de limão galego, como aquele pé que ficava ali do lado da garagem. Eu só vou ser teu se eu puder fazer de vc a mulher mais feliz dos mundos. Essa é a última oração, pra salvar nosso coração. E o coração, a banda, que é a mais bonita, sabe, não é tão simples quanto pensa e vc, que é a mais bonita da minha vida, também sabe. O outono vai como foram os peregrinos. E voltaram renovados, como, antes deles, os celtas. E dali de onde eu tomo meu chá mate eu vejo o quê? a estrada dos romeiros. Romaria, peregrinação, tudo sempre interliga ou é meu lado louquinho da praça que em tudo vê essa graça? Nos meus outonos cabe o que não cabe na despensa. Um dia eu sossego e me apego a um balcão de bar, não pra ferrar o fígado, mas aferrar a fidalguia com amigos que terei. Não os que já tenho, que com esses já circundo balcões em escalas musicais sem ao menos suspeitarem. Terei aqueloutros amigos só pra imitar o filme, mesmo.
Vem, inverno; vem, galícia; vem, amor.

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