terça-feira, outubro 23, 2007

Senhora Dona Marisa Monte, minhas desculpas.

As primeiras desculpas vão pelas parcas palavras de que disponho pra contar aqui o que eu vi a senhora fazendo na tardinha de domingo, pra mim e pra mais aquela gente que se reuniu. As segundas vão por ter-lhe quase xingado, justo a senhora, que tanto fez para clarear minhas idéias entradas no mundo adulto, quando muito do que eu então ouvia ou sentia não fazia mais sentido. A senhora me pegava pela mão e explicava um pouquinho melhor o que acontecia, com aquelas sílabas agudas e aqueles arranjos sinceros, enquanto eu espiava por uma janela qualquer da vila clementino e escolhia meu futuro na prateleira da vista paulistana.
Eu quase lhe xinguei pois minha mulher (aí vão as terceiras desculpas, fui levado pela minha mulher, e não o contrário, ouvir o que a senhora tinha a nos dizer, no domingo a tardinha, mas tudo bem, eu 'amo ela' mesmo, então tá tudo certo), pois minha mulher comprou os ingressos pro dia do espetáculo tricolor, em que toda minha família e todos os meus amigos e todos os colegas do trabalho (todos os que sabem das coisas) estavam no Morumba, assistindo meu tricolor praticamente selar o pentacampeonato. Eu xingava e esperneava e chutava a parede que queria ir ao jogo, mas com isso não daria tempo de estar às 19:00h na Via Funchal, pro encontro. Não xinguei, mas cheguei a desafiar: essa mulé vai ter que cantar muito hoje, pra eu ficar feliz.
E o que a senhora fez, Senhora Dona Marisa Monte? Naquele breu todo da primeira música, a gente só ouvindo e adivinhando penumbras, a senhora chegou pra mim e falou: olha, menino, vc é isso, aquilo e aquilo outro, vc é essas coisas que andou esquecendo quando optou por ingressar no turbilhão da realidade caótica, lembra agora? Dança assim com a cabeça, se tiver lembrado. E eu dancei assim com a cabeça, com os pelinhos arrepiados pela primeira vez naquela tardinha.
Na segunda, na terceira e nas demais músicas, Dona Marisa, eu reitero minhas primeiras desculpas, pois me faltam as necessárias palavras. Catarse? Arrebatamento? Fruição? Gozo? A senhora me deu vontade de mastigar os sons que emitia. Mergulhar de roupa e tudo na piscina daqueles acordes, arranjos, harmonias, eu não sei os nomes, meu deus do céu. Eu repiava e dançava e olhava em volta, todos assim também, a senhora dona inverteu o milagre, desmultiplicou as centenas de fiéis e fez-nos parecer melhores amigos em pós-aula, sentados em círculo ouvindo e dançando assim com a cabeça. Ah, a senhroa fez isso sim.
Foi um show de mpb, de samba, de rock, foi o que a senhora chamou de 'festinha' no final, foi tudo misturado, foi um coquetel harmônico, foi um bolo de cenoura foi a letra de 'diariamente' subliminarmente cantada o tempo todo, pq 'diariamente', dona marisa, é A música, é A minha visão resumidinha da senhora.
O turbilhão da realidade me chama, eu sempre prometo revisar e melhorar o texto depois de publicado, mas até agora isso nunca aconteceu. Em todo caso, faltou dizer umas coisas. Sabe aura, dona marisa? eu não enxergo, mas ver a senhora dançando com a voz e cantando com o corpo, a imagem que ficou era a de que a senhora cantava por uma extensão, como se eu pudesse imaginar emanações de energias boas fluindo a um tempo tênues e vigorosas da tua voz e do teu corpo e da tua expressão facial e de todo um monte de nomes e coisas que vão me faltando, nessa agonia de sair correndo. Realidade, aprenda com a senhora dona marisa monte e me deixe feliz e em paz pra poder pensar direito, realidade.

1 Comments:

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12:47 PM  

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