terça-feira, abril 01, 2008

Era ainda o mesmo menino, pra sempre seria. Em volta do fogo, brincava com o graveto, na noite escura, no frio que fazia arder, embora protegido, sempre protegido. Ele olhava pra além, por meio das chamas, absorto nos pensamentos, despreocupado com os monstros que lhe circundavam, os monstros por ele criados. O que poderia esperar? Pensava realmente que pra sempre tudo seria bonito daquela maneira? As vozes amigas o chamavam, mas a única relevância era o início de incêndio no graveto, a retirada do fogo, os movimentos rápidos no ar, as batidas na pedra, a apenas fumaça, para novamente começar a incendiar. Até o graveto diminuir a ponto de ele ter de forçar o braço de forma a incomodar. Jogava por fim o graveto no centro do fogo, que aumentava pela última vez e dali por diante amainava. Amainava. Amainava. E ele ia dormir.