domingo, dezembro 07, 2008

Torcer para o melhor time do Brasil














Compreendo que todos tenhamos nossas vivências pessoais ligadas aos clubes de nosso coração. É a família, é a mão do pai, do avô, que carrega o estádio, que acompanha ao lado na tv, no rádio, são as conversas do almoço de domingo, a lembrança viva de gols inesquecíveis, marcados por jogadores dos quais sequer conhecíamos a fisionomia, pois antes dela, vieram seus feitos, a comporem a nossa imaginação e construírem o que entendemos pela nossa história particular do futebol.
Admito, ainda, que cada um de nós, do torcedores do São Paulo ao XV de Jaú, passando por todos os intermediários, possa encontrar uma paixão especial, em virtude justamente dessa história.
Mas respondo pela minha.
Torcer pelo São Paulo Futebol Clube é muito mais que gratificante. É fundamental.
Eu me recordo, de sem pulo, dos times. Dos maiores e dos menores. Em especial, três, o do Cilinho de 85 a 87, Telê de 90 a 92 e agora o do Autuori/Muricy, de 2005 a 2008. Dos maiores - repito - e dos menores. Chego lá.
Mas antes é preciso falar que o São Paulo, ganhando tudo o que ganhou, não abriu as pernas pra ninguém. OK, estou tentando escrever com sobriedade. Então, reescrevo: o São Paulo ganhou tudo nos últimos tempos sem ter de se sujeitar a parcerias, escusas ou não. O São Paulo Futebol Clube nunca deixou de administrar seus times, nunca admitiu a figura do tal manager, única razão pela qual o Luxemburgo, apesar das declarações de amor públicas, não pisa os pés no Morumbi. No São Paulo quem manda é o São Paulo. E sabe mandar.
Saber mandar não afasta os erros. Mas a grandeza se mostra ao consertá-los com presteza.
Exemplo: o trio da balada, Adriano, Fabio Santos e Carlos Alberto. No mesmo ano do maior erro administrativo dos últimos tempos, consegue-se o tri seguido e o hexacampeonato brasileiro. Aquilo não era o São Paulo. Outros clubes demorariam mais pra perceber. O São Paulo percebeu a tempo. Quando o São Paulo voltou a ser o São Paulo, voltou a ganhar.
Mas os erros são poucos, perto dos acertos. E o principal acerto é a "filosofia" ditada pelo nosso futuro presidente, Rogério Ceni: "O São Paulo é maior que eu". Ser profissional não demanda, repito, as famigeradas parcerias. Basta assimilar, como regra matriz, essa máxima. O clube, a história do clube, o significado do clube em 15 milhões de pessoas, são muito maiores que as pessoas que hoje o compõem.
Isso vai muito além do "precisamos aprender com essa derrota", que tanto ouvimos dos jogadores e técnicos, após os fracassos. Significa ter a coragem e o culhão de bancar o vencedor que está ali, latente, já à disposição, em vez de pô-lo em disponibilidade, para dar uma satisfação, muitas vezes, para a odiosa opinião pública (composta por corintianos e palmeirenses, entre outros).
Sejamos claros: ano passado e esse ano, quando o São Paulo foi eliminado da Libertadores, o tal de Leco, que devia ser banido, fez pressão para cair o Muricy. Se fosse em qualquer outro clube do Brasil, EM QUALQUER OUTRO CLUBE DO BRASIL, o Muricy teria caído. Mas tivemos, pra ficar só nesse ano, o Juvenal Juvêncio, que soube bancar.
Nossos títulos são devidos à diretoria, que melhorou, e muito, nos últimos dez anos, ainda que se componha das mesmas pessoas de antes. As pessoas melhoram no São Paulo.
Juvenal Juvêncio e o apoio da torcida foram fundamentais para a permanência de Muricy, palavras do mesmo. E Muricy foi fundamental para esse título, palavra minha.
O futebol brasileiro é medíocre e vem piorando. Se fôssemos nos guiar pela nossa razão, nem torceríamos. Ainda bem que somos alma, somos paixão.
Esse tricampeonato foi a prova. O São Paulo de 2008 perderia, certeza, do São Paulo de 2006. E de goleada, do time de 1991, pra termos o contexto exato.
Mas foi o suficiente pra provar a sua indiscutível hegemonia em face dos demais times. Porque se é verdade que o São Paulo não tem um time bom, maior verdade é que os demais são bem piores.
O único que fez frente a ele não conseguiu segurar uma vantagem de 11 pontos! Fosse o São Paulo, teria sido campeão há cinco rodadas. Mas não conseguiram, apesar do razoável trabalho final.
E por quê? Porque não tem um trabalho consolidado, sério, ao longo do tempo, um Milton Cruz e um Carlinhos Neves, por exemplo, MANTIDOS por anos e anos, apesar da mudança dos técnicos.
Repito, ninguém manteria o Muricy, o cara que agora há pouco disse: "a minha lágrima é a lágrima do trabalho". Nenhum clube tem DOIS TELÊS. O inesquecível e o atual. Um cria do outro. Nenhum clube tem um zagueiro que "ensina" os novos companheiros a como jogar no são paulo, única maneira de sobreviver diante das vendas inafastáveis pros times da Europa, onde o melhor futebol do Brasil tem domicílio.
Se o Brasil conseguisse se desenvolver, a hegemonia nacional seria mundial, não só com os três títulos que dispomos, mas com a rotina que vemos hoje em dia.
Mas estamos no Brasil de 2008. E não tem pra ninguém, aqui.
O São Paulo, com um time limitado, é em tudo superior aos demais. Os motivos, alguns foram expostos. Volto depois pra falar dos outros.
Termino pela saudade. É o jogo de título que, quando acaba, não posso te ligar. Chorei muito por isso, mas sinto que vc pode ler. E assinaria embaixo e diria muito mais e muito mais bonito.
Hoje no céu dividiram a sala de tv meus dois vôs, meu tio filo e meu pai. Eu, a vcs, brindo, daqui da terra. Um beijo tricolor. Um, não, seis.

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