sexta-feira, fevereiro 10, 2012

Solo de gaita enquanto letras brancas anunciam o elenco em fundo negro, seguido do título.
Robert Johnson dirige-se à encruzilhada atrás de Legba.
Aproxima-se por um corredor, bate à porta de um quarto e grava sua primeira música.
"Robert Johnson... stand by".
Toma uma dose de Tennessee e manda bala. 
Crossroads.
A continuação é ouvida em fita K7 (o filme de Walter Hill, com trilha de Ry Cooder é de 1986), num quarto desarrumado no alojamento da Juilliard, onde Eugene Mortone (Ralph Macchio, Karate Kid) tira os acordes e vive seu conflito particular de prodígio em música clássica e o desejo de ser um bluesman ("don't serv two masters', adverte seu professor).
Procura Willie Brown, Blind Dog Fulton (Joe Seneca), parceiro de Johnson, então beirando os 80 anos, numa prisão e combina tirá-lo de Nova York e levá-lo ao Mississipi, em troca da lendária 30ª música, já que são conhecidas apenas 29 do criador do blues. 
Mas a verdadeira intenção de Willie Brown era voltar à encruzilhada, para desfazer o seu pacto, no que seguira os passos de seu parceiro. 
O drama se passa na estrada, onde o rapaz se apaixona e é abandonado por Frances (Jami Gertz) - ("na estrada não se diz adeus", até chegarem ao ponto, onde Willlie reencontra Legba, que agora se autodenomina Scratch e exige a rescisão contratual, já que Scratch não cumpriu sua parte. A "novação" vem na forma de um desafio de guitarras, entre Eugene e Jack Butler (Steve Vai). O resultado decide se o trato inicial será rasgado, ouse Scratch levará a alma de Eugene tbm. Na hora, Eugene ganha de Willie o último legítimo Mojo, amuleto vudu da Lousiana e manda ver no duelo. 
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A lenda diz que o pacto de Robert Johnson aconteceu na encruzilhada entre as Highways 61 e 49, em Clarksdale, Mississippi, "the crossroad blues". 
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Esse filme custou meu primeiro violão, dado pelo meu pai, pois na mesma semana em que assisti a ele pela primeira vez, troquei o encordoamento de nylon pelo de aço e, óbvio, o traste não aguentou. Só recuperei-o quando levei ano passado a um luthier no lugar mais longe possível do centro de Atibaia, já na 16ª assistência.
Acabo de ver o filme pela 17ª vez. 
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Há alguns anos, na 15ª, muita saudade do filme, perdida minha versão em VHS, pedi para minha tia trazer um DVD dos EUA, já que não tinha no Brasil. Meu mau inglês foi o responsável por ter assistido apenas uma vez nesse tempo, até que semana passada andava distraído pela FNAC, quando vi a versão DVD com opção de legenda, para compra.
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Gosto de relembrar a minha vida segundo algum critério aleatório, como as bicicletas que já tive, as revistas que fui lendo. Talvez uma das melhores maneiras é pensar em como vim sendo, em que vim me tornando, a cada vez que assisti. Sempre começando: ah, só vou ouvir um pedacinho, pelos blues e não paro até chegar a última cena. Não vou relembrar nada agora. Eles estão aqui ao lado, conversando no ônibus, acabaram de chegar em Memphis. Mas não vou contar essa como a 18ª vez. Eu vou dormir e nem estou prestando tanta atenção, enquanto escrevo.
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Como disse agora há pouco, é o melhor filme de todos os tempos, como deve ser um melhor filme de todos os tempos: pra mim.

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